terça-feira, 16 de julho de 2013

Querida Vida

Fevereiro, 2013.



Olá refúgio.

  Agora são exatamente oito horas da manhã. Não consegui dormir direito, acho que foi por causa da minha exaltação ou por simplesmente acreditar que eu já estava em um sonho. Um sonho com Philip Westorn.

  Ontem eu estava no banho escutando minhas músicas quando Phil bate à porta. Rapidamente, sem ao menos tirar o shampoo da cabeça, desço as escadas e vou atendê-lo. Como eu estava apenas de toalha, acabei criando uma oportunidade para mais uma de suas brincadeiras:
– Olha, se eu fosse seu pai, lhe daria uma surra por estar assim – brincou analisando-me desde os meus ombros até os pés.
– Qual é, só estou de toalha e nos conhecemos muito bem. Você não é um desconhecido qualquer.
– Mas isso não quer dizer que terei que vê-la pelada não é?
– Claro que não, idiota. – Fiz careta.
  Subimos para o meu quarto e voltei ao meu banho enquanto ele se sentava na cama logo em frente à porta do banheiro. 
– Trouxe a minha fantasia? – gritei do banheiro.
– Sim, espero que goste.
– Droga, você é péssimo com moda – resmunguei.
– Não fui eu quem escolhi, bobona. Foi minha mãe.
– Ainda bem...
  A mãe de Phil e eu sempre fomos chegadas desde o dia em que nos conhecemos, como eu disse. Nas datas especiais, trocamos presentes e cartas. Ela é bem engraçada. Uma vez fui até a casa de Phil para visitá-lo, mas como estava ausente, fiquei a tarde inteira conversando com ela. Temos uma amizade feito mãe e filha.

  Saio do banho e encontro Phil deitado na cama com os braços cruzados debaixo da cabeça, apoiando-a. Olhou-me de canto e deu um sorriso malicioso. Retruquei o olhar e estranhei a situação:
– O que foi?
  Ele apenas riu e passou a mão no cabelo – um ato típico quando está envergonhado.
– Então... Quer ver a fantasia? – ofereceu ele pegando a mochila preta de costas e tirando uma sacola. Neste momento eu me senti eternamente grata pela Sônia ter escolhido o vestido. 
  O vestido era simplesmente lindo: todo num tom roxo escuro, com o colete tomara-que-caia de paetê e a saia de tule sem nenhum bordado. A cor combinava com a gravata borboleta que Phil usava com seu smoking.
– Realmente... Seu gosto não tem nada a ver com o da sua mãe. Graças a Deus.
  Rimos.
– Pare de falar besteira e se vista. Temos meia hora para o começo da festa e não quero correr com o carro feito um desastrado.
– Tudo bem, senhor Westorn Machão.
  Ele sorriu. E, ah que sorriso lindo.

  Entramos no carro e partimos para o local da festa. Um grande salão iluminado com árvores enfeitadas pelos cantos e uma faixa grande dizendo: "The party is just begginning", recebia os convidados trazendo uma imagem encantadora e charmosa para a festa que acontecia ali dentro.
– Típica festa de playboys...– suspirei ao pararmos em frente ao belo salão.
– Sam, por favor – falou Phil em tom de repreensão.
– Ok, ok...
  Ao abrirmos a porta de vidro uma cortina de seda lilás cobria a frente da festa, e ao abri-la vemos a trabalhosa e, portanto, maravilhosa decoração em cada canto do salão que mais parecia um campo de futebol devido a sua grande estrutura. Tudo realmente perfeito.
– Tenho de admitir, dinheiro traz tudo.
– Péé, afirmação errada Sam – disse Phil imitando o barulho da campainha programas competitivos.
– Poderia me explicar o porquê, Senhor Philip? – Por causa de nossas vestimentas elegantes, chamávamos um ao outro como se fôssemos um casal de intelectuais.
– Mas é claro senhorita. O dinheiro não compra aqueles que são mais importantes em nossas vidas: amizade, família, felicidade e, sobretudo e o melhor: o amor.
– Muito sábio, senhor Philip – elogiei.
  Ficamos nos encarando após ele dizer a palavra "amor". Prometemos um ao outro de nunca pronunciarmos essa palavra em relação a alguém, devido às nossas decepções amorosas sofridas no passado. É como uma cicatriz frágil que pode ser aberta novamente a qualquer momento.
 – Venha, vamos dançar – convidou-me pegando pela mão e me levando ao grande salão cheio de casais que dançavam uma música lenta.
  Phil rodeou minha cintura e suas mãos subiram por minhas costas. Pousei meus braços sobre seus ombros e cerquei seu pescoço. Estávamos com as testas coladas uma à outra quando a música "This Years Love" ( clique para ouvi-la) começou a tocar.
 – Phil, apesar de você ter me explicado, não consigo entender como você pôde ficar bravo com algo tão fútil quanto aquele pequeno encontro com o Eric. Tem algo errado e você não quer me contar...
 – E eu não vou contar enquanto não for a hora certa.
  Olhei-o no fundo de seus olhos e percebi que lacrimejavam. Devia ser algo sério, e como Phil é sentimental (às vezes até demais) decidi não prosseguir.
 – Só quero que fique claro: não tem absolutamente nada acontecendo de importante entre eu e Eric, e mesmo que...
  Phil me puxou brutalmente para perto de si que me fez prender o fôlego. E, a centímetros de sua boca, pude ouvir sua respiração acelerada.
– Você é só minha, está entendendo? – sussurrou.
– E você é só meu – retruquei.
– Mas eu não tenho amigas por aí...
– Ah não?Então presumo que aquela Raquel com quem você ficou todos esses dias antes de voltarmos a nos falar seja um travesti – ironizei.
– Sam, ela é apenas uma consoladora minha, não tem importância nenhuma. O que é totalmente o contrário de você.
  Fiquei muda. Ao ouvir aquela frase, as pessoas, a música, até mesmo o mundo se silenciou e parecia que tudo acontecia em câmera lenta. Um sorriso bobo e idiota se abriu no meu rosto e eu pude perceber meu rosto corar. Agi como uma total babaca, mas eu não me importei. Aliás, nada mais importava.
  Ficamos dançando com passos curtos e lentos enquanto a música continuava a tocar. Phil beijou meu pescoço levemente e senti meu pelo se eriçar. Suspirei. Ele levantou o olhar para mim e disse: – Sua pele é macia.– Sorriu.
  Definitivamente foi a melhor noite de todas. 

  Na hora da volta, Phil e eu estávamos completamente bêbados. Ao som de "Tonight is the night" (clique para ouvi-la), seguimos a estrada longa pela frente. Abri a janela do carro, coloquei a cabeça para fora e gritei pelas ruas vazias e iluminadas. O asfalto brilhava devido à chuva que caiu anteriormente. Phil e eu não parávamos de rir.
– Sam cante comigo! Tonight is the night, is the night that were losing control...
 Tonight is the night, is the night we set it off !
  A noite se seguiu assim: cheia de sorrisos, risadas, altas freadas bruscas de Phil e curvas que faziam com que quase saíssemos do carro. Estávamos fora de controle.

 – Me carregue! – ordenei para Phil que vinha me abraçando atrás de mim quando andávamos pelo corredor para a porta de minha casa. Fiz um gesto com a garrafa de vidro de cerveja para que me pegasse.
– Sua folgada... 
– Pare de reclamar! – falei em tom alto com a voz aparente de um bêbado.
  Phil então me pegou no colo e soltei um leve grito:
– Shhhh... As pessoas estão dormindo. Já são quatro horas da manhã – repreendeu.
– Tá bem, tá bem... 
  Ele empurrou a porta e entramos. Parecíamos mais com recém-casados prestes a entrar em sua nova casa. Quem me dera fosse verdade.
  Pulei no chão e subi correndo as escadas em direção ao meu quarto. Phil tirou o casaco, a gravata e desabotoou a camisa branca. Seu peitoral ficou à mostra. E, uau, que peitoral. Não é bombado, apenas atlético. O suficiente para me fazer suspirar.
– Ei, o que está fazendo? – perguntou ao entrar no quarto. 
  Eu estava sentada em frente a minha estante ao lado da porta do banheiro e em frente à cama. Procurava por um filme para assistir. Phil certamente iria dormir comigo.
– Vendo se tenho algum filme de terror por aqui...
– Ah não, nem me venha, você sabe que eu tenho medo.
  Levantei-me e parei a sua frente. Aproximei-me da ponta da cama onde ele se encontrava. Phil levantou a cabeça e olhou-me confuso. Então, agarrou minhas pernas e caí em cima dele. Rolamos pela cama até pararmos numa posição em que ele ficava em cima de mim. Meu coração estava disparado.
– Você...não...vai...me...provocar...hoje – declarou pausadamente, penetrando-me com seu olhar.
  Senti uma vontade extrema de beijá-lo, mas não poderia. Não assim, sem motivos.
– É melhor eu...continuar procurando outro então – desconversei saindo debaixo de Phil.
  Voltei a minha caça e não olhei para trás. Estava ciente de que Phil continuava a me observar, mas eu não podia ceder aos meus desejos.
  Finalmente achei um filme de comédia, o qual decidimos assistir. Fazia alguns anos que havia lançado, entretanto eu não tenho uma variada coleção de filmes.
  Tirei meu vestido e vesti um shorts curto com uma blusa branca. Phil ficou com um shorts dele que encontrei no meu guarda-roupa (ele vem muito em casa) e sem camisa. Deitei-me ao seu lado e, despercebidamente, apoiei minha cabeça em seu ombro e pousei meu braço em cima de seu peito. Era tão confortável... Até que minha mente desperta e me desfaço daquela posição rapidamente. Phil senta-se surpreso:
– O que foi?
– O que eu fiz foi...ridículo. Desculpe – falei envergonhada.
– Mas eu estava gostando.
  Foi minha vez então de encará-lo surpresa. Sorri e refiz a posição, apertando-o com mais força. Ele apenas retribuiu e beijou minha cabeça.
  Dormimos dessa maneira, e ao acordar, tive muita cautela para sair da cama e contar imediatamente o que aconteceu a você. 

  Concluindo, tudo foi incrivelmente perfeito.

terça-feira, 25 de junho de 2013

Atualização.

Peço desculpas por não ter postado durante as últimas semanas. Estou ocupada com as várias provas que estou tendo e portante não tive tempo de terminar as atualizações. Entretanto, consegui atualizar pelo menos um! Prometo que até o fim da semana, atualizarei novamente pois minhas provas terão chegado ao fim. 
Obrigada pela atenção e aos leitores.
Também gostaria de pedir que comentassem, de verdade. Críticas sempre serão bem-vindas desde que sejam construtivas.
Agradeço novamente.

Querida Vida

Fevereiro,2013.

Olá refúgio.

  Segunda passada eu fui à casa da minha avó. Fazia tempo que eu não a via, e quando a encontrei, quase não a reconheci pelas inúmeras rugas evidentes em seu rosto. Ela ficou mais velha. Muito mais velha.
  Antigamente ela me enchia de presentes, e a maioria deles era um bichinho de pelúcia. Meu favorito é a  
Muna, uma vaca malhada. A Muna sabe me fazer ficar calma, o que é estranho para uma adolescente de 16 anos. 
  Minha avó estava na sua velha cadeira de balanço, agora desbotada devido aos vários longos anos que passara. Ela balançava e cantarolava uma das músicas que costumava cantar comigo: "Durma, sem se importar / Durma, para acalmar / Sonhe, e verás / Que a vida ainda é bela / Não temas, o amanhã virá / Sinta, o amor aflorar / Escute, o pássaro a cantar / Deite e descanse em paz / Por cada sorriso que a vida lhe traz (...) " .
  Parei em frente àquela velha casa branca e encostei na cerca que a rodeia. Sorri ao observar aquela idosa tão tranquila a cantar sem temer os problemas da vida, apenas vivendo os minutos que ainda lhe restam.           Admiro a forma como ela levava todas as situações pacientemente. Meu pai sempre falou que ela era - e é - sua melhor amiga. Seja a coisa mais difícil de se lidar, ela sabe um modo de encarar aquilo de peito estufado e no fim, sempre ganha. Uma das habilidades que eu mais aprecio nos idosos. Acho que o mundo seria melhor se todas as pessoas nascessem com tamanha experiência. 

- Bom dia vó - cumprimentei ao silenciar da música.
- Olá minha querida neta...há tempos não a vejo - disse animada vindo me envolver naqueles abraços de avó.
- Vim lhe fazer uma visita, fiquei com saudades.
- É sempre bom recebê-la, ninguém mais visitou essa velha aqui. 
- Desculpe, é que eu ando ocupada ultimamente. Pude vir apenas agora. - Senti-me envergonhada.
- Não tem problema, vamos entre.
  Adentramos a casa e reparei que continuava do mesmo jeito desde a última vez que estive ali : porta-retratos enfeitavam as paredes rachadas; lençóis de tricô predominavam nos sofás e camas da sala; portas fechadas cada uma com um ditado popular; e (a parte da qual eu mais gostava) a biblioteca com enormes estantes repletas de livros de inúmeros estilos. Quando pequena, toda semana pegava um e levava para casa.
- Então minha neta, o que a fez tão ocupada? - perguntou vovó enquanto trazia na bandeja duas xícaras e um bule de porcelana. Peguei uma delas e dei um gole antes de falar:
- Ah, você sabe, estou procurando um emprego há meses e não encontro.
- É mesmo? Soube da loja que abriu por aqui? 
- Não, mas...o que é que tem?
- Devem estar procurando por alguém, não faz muito tempo que estão aqui. - Uma pontada de esperança acendeu em mim.
- A senhora sabe que tipo de loja é?
- Oh minha filha, não sei explicar, mas são daquelas que vendem histórias de super-herois...
- Loja de gibis - completei.
- Isso! Além da audição estou perdendo a sabedoria...
- Você sempre será a mulher mais inteligente que eu já conheci vovó - declarei pegando em sua mão. Embora minha vó tenha estudado um pouco, sua sabedoria provém dos milhares de livros que já leu.
- Fico lisonjeada com suas palavras minha neta.
  Após algumas horas de conversas e mais café, resolvo ir para casa dormir cedo, para no dia seguinte procurar pela tal loja e talvez conseguir o meu tanto esperado emprego. Sei que não é nada definitivo, mas pelo menos ganharei dinheiro para me sustentar.

  Na terça depois do colégio, procuro pela loja de gibis citada por minha avó. A loja é típica de subúrbios: com tijolos à mostra e imagens dos vários herois idolatrados por seus fãs. Como disse, eu gosto de ler, e embora os gibis não sejam meus preferidos, eu compro vários dos que me interessam.
  Bato na porta de vidro e verifico por este se alguém poderia me atender. Então vejo a seguinte placa: "Procura-se uma atendente". Não tenho experiência em lidar com público, mas eu tentaria.
-  Olá, posso ajudar? - perguntou um homem alto e magro com blusa xadrez.
- Sim, é...meu nome é Samanta Thompson e eu gostaria de conversar a respeito da vaga de sua loja.
- Ah, pode entrar.
  Entrei e reparei nas várias prateleiras com gibis coloridos e capas desenhadas. Tudo muito peculiar de uma loja de super-herois.
- Então, sobre o quê exatamente você deseja saber?
- Bem, eu ando procurando por um emprego, e quando soube dessa vaga, achei que seria uma boa ideia.
- Eu preciso conhecer o seu perfil primeiro. Não queremos alguém profissional ou algo do tipo, apenas uma ajudante no trabalho.
- Claro. Meu nome é Samanta Tompson, tenho 16 anos e sou estudante. Moro sozinha e por enquanto sou desempregada e o dinheiro que tenho não é o suficiente para me sustentar.
- O.k. Já teve algum emprego antes?
- Não. - Ele anotava tudo em uma caderneta.
- Muito bem Samanta...
- Pode me chamar de Sam - interrompi.
- Muito bem Sam, eu preciso conversar com os meus amigos que também são donos da loja e discutiremos se você trabalhará aqui ou não. Provavelmente sim, foi a única que se ofereceu. - Eu ri. - Te ligarei amanhã para dar a resposta. Obrigado por ter nos procurado. A propósito, meu nome é Tyler.
- Até mais Tyler. Eu que agradeço.
  No dia seguinte ele e ligou como prometido. E felizmente, de fato eu havia conseguido o emprego.

  Na manhã de sexta-feira, acordo com batidas na porta para minha surpresa. Com receio de que fosse alguém perigoso, passo na cozinha e pego uma frigideira - melhor do que nada. Vou em direção à porta e, como não tem olho mágico, abro rapidamente para atacar. E assim eu quase acertei uma "frigideirada" na cabeça do Phil.
- Você sabe que horas são? - falei, soltando a frigideira no chão enquanto ele se cobria com seus braços.
- Hora de acordar?
- Péé, errado! - imitei uma campainha de programas de competições da TV. - É hora de dormir, seu chato.
- Além de gorda é preguiçosa - suspirou me olhando de uma forma repreensiva.
  Semicerrei os olhos.
- Entre antes que eu lhe expulse.
  Phil entrou e se sentou na mesa da cozinha enquanto eu pegava uma xícara e fazia meu café. Ele se virou para mim e disse: - Temos uma festa para ir. É de um amigo meu e vai ser à fantasia, e vários casais vão dançar, então eu pensei que você poderia ir comigo. Topa?
Sentei-me à mesa ao seu lado e dei um gole antes de responder:
- Claro...Que dia vai ser?
- Amanhã. - Sem querer cuspi café no chão.
- PHIL EU NÃO TENHO FANTASIA! - gritei.
- Bobona, eu já comprei pra gente - falou apertando as minhas bochechas. Eu adoro quando ele faz isso.
- Depois eu te pago, arrumei um emprego! - Sorri.
- Finalmente...agora você vai parar de me encher o saco reclamando que não consegue arrumar um.
- Irritante, é isso o que você é. - Dei um soco de leve no seu braço e nós dois rimos.
  O sorriso do Phil é o mais bonito que eu já vi.

  Boa noite,
  Samanta.


 

  



segunda-feira, 3 de junho de 2013

Querida Vida

Março,2013.

Olá refúgio!

Dias se passaram depois da minha "discussão" com o Phil.Não entendo o fato de ele ainda estar bravo comigo.Eu simplesmente não entendo.Ele continuou bravo,mesmo sem motivo,e começou a se sentar com a a tal Raquel O'Donnel,a filha única de uma das famílias mais ricas da cidade.
É só citar seu nome,que todos já afirmam que a conhecem,talvez esse seja um dos maiores motivos por ter tantos amigos populares e atrair a atenção dos meninos do colégio.Mas é claro que não é apenas isso.
Raquel é bonita com seus cabelos ruivos escorridos,olhos negros e boca rosada.O corpo todo malhado,devido aos anos de academia.Eu tenho condições de inclusive pagar uma academia,mas vaidade não combina comigo.
Na última vez em que vi Phil e Raquel no refeitório,ela ria com aquele sorriso peculiar de uma patricinha mostrando suas novas joias aos amigos ricos.As roupas extravagantes atraíam até mesmo a atenção dos mais tímidos,como eu.Contudo não era nela que eu reparava.Era no garoto ao lado sério,olhando para o hambúrguer a sua frente,mostrando desânimo,mesmo com todas aquelas risadas.Então ele vira o rosto e encontra os meus olhos.Pude perceber a mudança de sua expressão antes desanimada e agora,terna.Quase o vejo sorrir.Mas isso seria pedir demais.

Na quinta,eu estava sentada no degrau em frente à porta da minha casa,olhando para os poucos carros que passavam naquela rua mal iluminada pelos postes com luzes alaranjadas.Apoiei a o braço na minha coxa e o queixo na mão,demonstrando o quão eu estava entendiada,sem ninguém para me fazer companhia.Uma das grandes desvantagens de morar sozinha.
Agora,observando o nada,com o olhar distante ouço uma voz ao meu lado: - Ué,ainda não foi dormir?
Levanto a cabeça e vejo aquele belo garoto de olhos azuis.Eric Carton usava uma calça jeans e um blusão branco com estampas de grafismo.Usava um Nike nos pés e nestes,o skate parado e inclinados.Ele me olhava com um sorriso no rosto,o que me fazia derreter por dentro.
- Estou sem sono...aliás,por que isso lhe interessa?
Ele riu e respondeu sutilmente: - Ainda está brava comigo?Poxa,só fui pegar o celular,será se as pessoas não aceitam mais gentilezas?
- Vindas de você eu desconfio. - falei ríspida,lembrando-me de todas as vezes em que me senti humilhada por Eric.
- Olha,é certo que nunca fomos chegados,mas estudamos há um bom tempo juntos.Não precisa agir como se eu fosse um desconhecido.
Mas você para mim é um desconhecido Eric,pensei.Entretanto eu apenas engoli em seco e disse: - Bom,se quer começar uma conversa é melhor se sentar,não acha?
Eric se sentou ao meu lado na escada e começamos a conversar sobre todos os assuntos que não envolviam sentimentos ou qualquer coisa que me fizesse falar a respeito do que os amigos dele me disseram um dia.
- Como você me encontrou? - questionei,ainda não entendendo como ele havia chegado até ali.
- Eu estava andando de skate sem um destino certo,foi então que lhe vi sentada e solitária aqui.Resolvi fazer companhia.
Ele pegou em minha mão,mas eu a tirei debaixo da sua rapidamente evitando qualquer blefe para não cair em suas tentações.Pelo menos dessa vez ele não me conquistaria tão fácil.
- Você sabia que eu tinha uma paixão por você,não é? - indaguei depois de um longo silêncio.
- Achei que era um lance temporário como todas as outras vezes em que alguma garota afirmava estar apaixonada por mim. - respondeu sem me olhar diretamente,distraído enquanto despedaçava uma folha.- Mas aí você criou uma raiva sem motivo e nunca mais olhou na minha cara.
Franzi o cenho sem compreender o que ele havia acabado de dizer.Como ele não sabia?Ora,é óbvio que ele planejou aquela brincadeira de mau gosto no qual eu era empurrada como se não fosse nada - uma boneca de pano passando de mão em mão.

- Ih a otária acha que é grande coia!
- Olha a nerd feia,encalhada achando que vai ter chance com ele!Vai continuar encalhada.
Risos e mais risos o tempo todo...lágrimas escorriam pelo meu rosto.
- Vamos ver o que temos aqui....- disse um dos rapazes do time de futebol enquanto tirava minha blusa,ou melhor,rasgava.- Que peitos pequenos!
Um outro puxou minha saia e deu risada: - A bunda também não é nada demais.Se é que tem uma.
O garoto até então calado entre todos eles,disse num tom malicioso: - Por que não vemos se ela é boa de cama?
Eu me sentia um lixo,uma vagabunda e ao ouvir aquela sugestão,eu decidi falar algo finalmente,desesperada e temendo o que viesse acontecer: - Não!Por favor,isso não!
- Ah,devia nos agradecer por fazer um favor, porque ninguém terá vontade de tirar sua virgindade.
Eu chorava como nunca havia feito antes.Sentia vergonha e tentava esconder inutilmente meu corpo nu em meio a tantos olhares maldosos a minha volta.Então,ao longe uma luz aparece naquele local abandonado perto do colégio.Era uma viatura para minha sorte.
- Vamos dar o fora daqui antes que nos peguem com essa idiota! - pediu baixo o garoto malicioso,mas,antes de todos saírem,disse uma única frase: - Fique longe do Eric.
E eu obedeceria àquilo.Tudo para não passar por isso outra vez.

-Seus amigos Eric...Me humilharam. - murmurei finalmente,contendo as lágrimas que insistiam em cair.
- Como? - indagou,surpreso.
- Não importa como.Me humilharam,como jamais fui.
- Eles não eram meus amigos Sam,são uns filhos da puta isso sim!Eu juro que não fiquei sabendo de nada,mesmo assim,peço desculpas.
Eric olhou-me como um cão pedindo por comida ao dono.Se eu fosse a velha Samanta,quem se apaixonou por Eric Carton,simplesmente o beijaria ali,não se importando com nada.Mas eu me tornei forte depois daquela humilhação.Tornei-me forte e nenhum rapaz seria capaz de me ter tão facilmente.
- Tudo bem.- falei sem emoção.Não tenho mais sentimentos por Eric.
- Aliás...- começou a dizer,entretanto não terminou a frase.Apenas aproximou-se tanto de mim que pude sentir sua respiração quente.Ele analisava cada detalhe do meu rosto como se quisesse gravá-lo para sempre.E eu não o impedi de fazer isso.
Eric começou a fitar minha boca com se a desejasse.Eu continuava paralisada.Fechava os olhos e tentava me afastar de Eric,mas não tanto,para não mostrá-lo o medo que sentia.
De repente ele passou suas mãos por minhas costas e me virou, aproximando-me do seu corpo.Olhei-o nos olhos e mentalmente me perguntava o que ele estava fazendo - como se eu já não suspeitasse.Dentre todos aqueles minutos seguidos sem nenhuma palavra de ambos,Eric por fim, completou sua frase: - Você é a única garota por quem eu posso me apaixonar.
Sua fala soou como um sussurro em meu ouvido.O ar quente fez-me aquecer por dentro,e as suas mão fortes e grandes apertaram minha cintura.Pude perceber seu rosto chegando mais perto do meu e eu,de alguma forma,não consegui me mover.
Logo vejo um clarão anular minha visão,fazendo-me proteger os olhos com a mão,afastando o rosto de Eric do meu.Ele se vira novamente e esconde a cabeça entre as pernas com toda aquela luz.Quando me dou conta do que se tratava aquela luz,sorrio agradecendo por ter aparecido no momento certo: Philip chegava com sua família de um jantar em um restaurante.Não sabia bem o motivo,mas não importava.
Vi Phil sair do carro do lado contrário ao nosso e entrar rapidamente em casa,sem olhar para trás.Concluí que ele não nos viu,mas seus pais sim.Sônia me olhou e deu um sorriso amarelo expressando a decepção ao me ver com um garoto esnobe em um momento íntimo.Infelizmente,eu concordava com ela.Não devia estar ali.Devia ter dado o fora desde o momento em que Eric se sentou para conversar.Senti culpa por outra burrada feita.
Carlos analisou Eric dos pés a cabeça e semicerrou os olhos ao me olhar,como se perguntasse o motivo de estarmos juntos ali.A vergonha que eu sentia aumentou e,antes que Eric pudesse protestar ou tentar algo mais,levantei-me e entrei em casa,e a última cena que vi foi Eric a minha frente preparando-se para entrar junto,abrindo a boca para falar algo.Mas,eu fechei a porta em sua cara,não dando tempo nem mesmo para ouvir mais uma palavra de Eric.Afinal,eu não devia ter ouvido sequer uma palavra dele desde o início.

Boa noite,
Samanta.







terça-feira, 28 de maio de 2013

Querida Vida.

Fevereiro,2013.

Olá refúgio!

Domingo de manhã,eu permanecia preocupada com a ausência de Phil no bar.Não é comum isso acontecer,principalmente quando nós dois marcamos de ir a algum lugar.Desconfiada de que algo sério pudesse ter acontecido,ligo em seu celular que,por sorte,desta vez não estava desligado.Ele atende com uma voz séria,sem expressar o ânimo de costume quando nos falamos.
- Oi Samanta. - "Samanta"? O Phil nunca me chamou assim depois que viramos amigos.Foi então que tive certeza de que ele estava bravo comigo.Mas eu ainda não sabia o motivo.
- Phil...você está bem?
- Estou sim. - respondeu friamente.Eu conhecia Phil mais do que ninguém,e é claro que ele não estava bem.
- Não Phil,você não está.Não minta para mim.
Ele permaneceu em silêncio do outro lado da linha.Nem ao menos um chiado eu pude ouvir.Apenas o silêncio,o que doía mais do que qualquer palavra que ele dissesse.
- Não sou eu quem está mentindo.É você.- afirmou incisivamente.Como eu poderia estar mentindo?Em três anos de amizade eu nunca menti.Phil é meu porto-seguro,meu amigo,a minha única companhia.Eu nunca irei mentir.
Antes que eu pudesse responder,ele desligou.Provavelmente não queria ouvir minha voz por um tempo.Precisava de um descanso.
Entrei em meu Facebook e fui até a página do Phil,novamente.O mural tinha alguns convites para festas.Normal,eu já até havia me acostumado com aquilo.Phil,embora não seja como Eric,também é conhecido pela maioria dos alunos do colégio.Sempre é convidado para os eventos.Mas apenas um convite me chamou a atenção: era de uma garota chamada Raquel.Ela era bonita,para ser sincera,muito bonita.Senti algo desconhecido nascer em mim,mas ainda assim,decidi ler o que ela havia escrito.O convite dizia o seguinte: "Oi Philip!Vai rolar uma festa na minha casa este sábado por volta das 20 h.Sem convidados,de preferência.Beijos"- típico recado de uma patricinha sem vergonha na cara.
Aliviei-me por um instante ao perceber que o horário da festa coincidia exatamente com o horário que eu e Phil marcamos para ir ao bar.Então minha expressão virou preocupação.Phil não compareceu ao nosso encontro.
- Não,o Phil não faria isso.- disse para mim mesma,descartando a ideia de que ela tenha me abandonado no bar para ir a festa da tal Raquel.
Contudo,esse pensamento ainda martelou a minha mente pelo resto do dia.
Segunda-feira às 7 horas,acordo elétrica,querendo o mais rápido possível falar com Phil.Eu tinha que deixar clara essa história.
Chego no corredor com armários azuis grudados na parede,parecendo infinitos.Alongando-se a minha frente,existe um banco no canto esquerdo e ao lado do bebedouro,logo depois dos armários.E neste banco,eu vi pernas masculinas e nos pés um all star preto surrado.Era o Phil.
- Phil! - exclamei correndo ao seu encontro - Precisamos conversar.
- Oi - novamente me cumprimentou indiferente.Olhou em meus olhos por poucos segundo,e logo desviou para fitar a porta da sala em que estudamos juntos,a sua frente.
- Phil não faça isso.Precisamos mesmo,e a primeira coisa é: por que não apareceu no bar,sendo que já tinha me mandado a mensagem?- perguntei em tom firme pondo-me a sua frente,obrigando-o a me encarar.
- Cansei de esperar.Só isso. - respondeu e depois engoliu em seco.Estava mentindo.
- Ah claro...você sempre foi disso não é?Pena que eu não reparei por três anos! 
- Vai querer discutir comigo no corredor mesmo? - indagou,olhando-me nos olhos.
- Não,é claro que não.Mas você está me fazendo perder a paciência.- falei num tom mais baixo do que o de antes.
- Ótimo.Então,a resposta é simples.Eu vi você com aquele idiota,amiguinho novo não é?Achei que você quisesse ficar com ele,ao invés de ficar comigo.Decidi ir embora.
- Não é meu amiguinho novo!Aliás,eu recusei quando ele pediu para pegar meu celular que caiu no chão.Nós apenas trombamos Phil.Nada demais. - justifiquei,ainda estranhando essa posição do Phil.Estaria com ciúmes?Não,isso é ridículo.
O Phil não me respondeu.Apenas pegou seus livros e entrou na sala,abrindo a porta com força.E novamente me causou raiva ao deixar de se sentar ao meu lado para sentar-se com aquela Raquel.Ela sorria para mim e  eu pude ver os seus lábios murmurarem: "Ele é meu". Meus olhos se encheram de fúrias,mas não fiz nada que demonstrasse a raiva que eu sentia.Não queria dar escândalo.
Voltei para casa de ônibus,contudo Phil não me acompanhou como fez em todos os anos.Era estranho me sentir sozinha,sem sua companhia.Senti como se eu estivesse incompleta.Deslocada no meio de tantas pessoas que me rodeavam,porque a única a qual eu queria que estivesse ali comigo,não estava.
Nunca me senti assim antes,pelo menos,não depois que conheci o Phil.O que mais me preocupa é o fato de ele ter ficado com a Raquel pelo resto da aula na escola.
Não posso perdê-lo.Eu preciso do Phil,admito.Mais do que qualquer pessoa do mundo.

Boa noite,
Samanta.


domingo, 19 de maio de 2013

Querida Vida

Fevereiro,2013.


Olá refúgio!

Sábado,foi o dia marcado para eu e Philip irmos ao bar. À noite, decido entrar no meu Facebook para conversar com o Philip, mas antes, sem querer - ou não - clico em suas fotos e fico observando-as. Olho o quão é bonito, e sou sortuda por tê-lo como meu melhor amigo. Ele dedica o seu dia para mim, prestando atenção e ajuda quando preciso. Toda vez que o chamo, sei que ele me atenderá, nunca me ignora. Seus cabelos castanho-escuros tão lisos quanto seda, caem em seus olhos de tom castanho-claro, que mais parece caramelo. Seu corpo bronzeado na medida certa, o torna de uma aparência diferente e incomum. Tem músculos nos braços e nas pernas devido às ajudas no trabalho de Sônia Westorn, sua mãe, que antigamente trabalhava com costuras, ou decorações de roupas. 
Seu pai, Carlos Westorn, é empresário há 10 anos. Foi contratado quando Philip tinha 7 anos, e permanece na mesma empresa com Phil já tendo 17. Quando conheci os Westorn , eles receberam-me com abraços calorosos e cumprimentos, e disseram que eu podia tratá-los como uma segunda família, porque a minha, está bem longe de São Paulo, morando numa cidade pequena, no litoral do estado de São Paulo. 
Minha mente desperta quando Philip me chama no chat, fazendo-me fechar a aba de fotos: "Oi princesa!", falou ele chamando-me pelo apelido o qual havia criado nos primeiros dias em que nos conhecemos. Disse que tinha a ver comigo, por ser bonita - o que eu discordava . Na conversa online, ele afirmou estar me esperando, embora eu ainda estivesse de pijamas e com a cabeleira cacheada toda bagunçada. 
Despeço-me e vou tomar um banho. Visto um vestido tomara-que-caia florido azul e uma gladiadora bege. Não gosto muito de chamar atenção, por isso na maioria das vezes, com exceção para as festas importantes, visto-me de forma discreta, pois roupas curtas ou qualquer tipo que faça a atenção se voltar para você, não combina com o meu estilo. Gosto de me esconder entre a multidão sem os olhares constantes daqueles a minha volta.

No caminho a pé, pego meu celular para mandar um torpedo ao Phil e avisar que já estou chegando. Distraída com as letras, tropeço num dos buracos daquela calçada mal construída, na qual eu estava andando. Pela má iluminação, devido aos poucos postes funcionando, vejo ,apertando os olhos, a sombra  de alguém alto e musculoso se aproximando de mim e oferecendo gentilmente:
-Deixe que eu pego para você.
-Não, obrigada. - recusei, já percebendo que aquele alguém não era Phil, como de início pensei.
Nossas mãos se tocaram e nossos olhares cruzaram. Então, com a vista já acostumada com a escuridão, reconheço os olhos azuis e cabelos negros daquele rapaz alto e atlético: era o Eric Carter , uma antiga paixão "relâmpago" do primeiro ano do Ensino Médio . 
Eric e eu, nunca fomos chegados, mas como eu era tola, apaixonei-me por ele como todas as outras garotas. Ele é popular, e considerado o melhor jogador de futebol que a escola já teve. Típico perfil de alguém que anda com amigos esnobes e da alta elite, desprezando as garotas desprovidas de beleza. E foi o que fizeram comigo quando souberam da minha paixão por Eric. Insultaram-me e afirmaram que Eric nunca se apaixonará por alguém como eu. O resultado disso foram horas e horas de choro e lamentações. Mas tudo é superado quando se tem um amigo verdadeiro por perto como o Phil. 
Após minutos de silêncio encarando um ao outro, Eric sorri e se levanta, mas eu, com passos rápidos, vou embora até chegar na entrada do bar, sem olhar para trás. Quero me manter o mais longe possível de alguém que me traga lembranças ruins.
Quando entro, não avisto Philip de relance. Decido dar uma olhada em todas as mesas, entretanto nenhum dos rostos ali era o de Phil. Portanto, opto por ir para casa.
Mando mensagens e mais mensagens inutilmente para o Philip a fim de saber o que aconteceu. Não é de seu costume descumprir com seus compromissos.
Vou para cama e volto a pensar no Eric. Não o vejo desde o início do Ensino Médio. Está tão diferente, tenho a impressão de que está até mais bonito. Será que estou me apaixonando novamente por ele?É melhor ter cuidado, não posso me iludir novamente.

Boa noite,
Samanta.








sexta-feira, 17 de maio de 2013

Querida Vida.

Fevereiro de 2013.

Olá refúgio.

Hoje eu fui ao parque com o Philip,meu melhor amigo.
A brisa batia em nossos cabelos,e eu não pude deixar de admirar aquela sensação. Os olhos castanhos de Phil,refletiam o brilho do sol ardente que nos aquecia naquela tarde. Os seus cabelos cor de chocolate sacudiam a cada vez que o vento aumentava.
Caminhávamos pelo corredor entre as árvores tão verdes e recheadas de frutas para alimentar a quem quisesse. Nossos sapatos arrastavam no concreto cinza,que se destacava no gramado verde perfeitamente podado a sua volta. Philip lambia seu sorvete de casquinha,enquanto eu,discretamente o olhava de canto para observá-lo. Naquele clima de calmaria,Phil quebra o silêncio:
-Vai me ajudar com a tarefa de matemática?-perguntou, virando-se para me olhar.
-Phil...você sabe que eu estou ocupada com esse negócio de procurar um emprego.
-Mas Sam, você é a única pessoa que eu conheço que é nerd e pode me ajudar,mas você ná dá a mínima pra mim...-choramingou, fazendo a típica expressão de cão sem dono.
Soltei um riso e continuamos a andar.Após alguns passos eu decido ajudá-lo.
-Só porque você é meu melhor amigo.-justifiquei abraçando-o. Seu corpo não é tão musculoso,mas tem uma aparência atlética suficiente para ser notada. Os braços fortes rodeavam a minha cintura,e seu queixo estava apoiado em meu ombro. Somos de estatura praticamente igual.
Seus dedos acariciaram meus cabelos longos e cacheados, de um tom castanho-escuro, com leves mechas loiras. Finalmente,paramos com o abraço e ficamos um tempo nos olhando sorrindo, como se disséssemos um para o outro: "Gosto do seu abraço".
-Já te disse que seus olhos são lindos?-elogiou Phil, fazendo-me ficar num tom rosado, como eu ficava nas poucas vezes que me elogiavam.
-Seu bobo, olhos lindos são os de cor esmeralda,azul do mar...o meu é apenas castanho, como o seu.
-Por isso são lindos.-brincou abrindo um sorriso branco de ponta a ponta fazendo-me sorrir até por dentro.
Fomos para minha casa por volta das 18 horas. Por fora, minha humilde casa é pintada de um tom amarelo claro,com pequenas janelas brancas, que abrem para a cozinha, a sala, e o meu quarto no andar de cima.
Phil decidiu ficar um pouco comigo, já que morava ao lado. Ficamos conversando sentados na pequena mesa  de madeira que fica no centro da cozinha pouco espaçosa, quase apertada devido ao armário novo que meus pais me deram de presente no dia em que vim me mudar, para morar finalmente sozinha. Foi então que conheci Philip, que mora com sua família que tem bons recursos financeiros, mas ao contrário da maioria, não são esnobes.
Eu e Phil marcamos então, um lanche no bar nesse fim de semana, para aliviarmos um pouco a tensão das provas.Ele não é estudioso, entretanto com uma pequena ajuda minha, esforça-se ao máximo para não ficar de recuperação.
Nos despedimos e eu fiquei olhando seu corpo desaparecer na escuridão que já tomava a cidade.

Boa noite,
Samanta.